Ida e volta narra através de imagens o percurso de um dia
na vida de um homem, desde o momento em que sai de casa pela manhã até o seu
regresso.
O fio da narrativa é construído
pelas pegadas deixadas pelo personagem no trajeto de ida e volta. A sua presença
é percebida pelas marcas dos pés impressas no caminho percorrido, pois não há a
descrição física (através de desenho), o que torna mais interessante a
narrativa, abrindo espaço para a imaginação do leitor. A trajetória realizada
pelo protagonista é percebida pelo desenho feito pelos seus pés, pela ausência
de algum objeto extraído do cenário - o cabide de roupa vazio no armário, o
chapéu retirado da chapeleira, a maçã arrancada da árvore e, depois de comida,
jogada no cesto de lixo da rua, o vaso de flores que desaparece da banca do
florista e, na cena seguinte, vai parar nas mãos de uma velhinha e também pelas
marcas deixadas pela roda da bicicleta além de outros detalhes que compõem o
ambiente narrativo.
Outros personagens aparecem em
cena, o cachorro e o homem-anúncio com pernas de pau, que cruzam suas pegadas
com as do protagonista invisível numa narrativa paralela, além da velhinha e do
pintor de letreiros que é atropelado pela bicicleta do personagem misterioso.
A linguagem visual trabalha no
nível da conotação, é altamente metafórica na medida em que lida com símbolos
que sugerem o perfil do personagem e ajudam a compor o enredo. As imagens
aguçam e estimulam a observação do leitor, que vai e volta nas páginas do livro
a procura de um detalhe que permita uma melhor compreensão da história.
(Rosa
Cuba Riche)
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